Impossível Manter

Deitada na cama, que fica no alto daquela torre, a menina de longos cabelos ruivos consegue observar as pessoas que passam na rua, cada uma no seu mundo. Algumas carregam problemas, outras mistérios, algumas uma solidão lânguida e outras uma paz invejável. Na mesma cama, repousa um corpo alvo como a neve, inerte, nu, que parece nem estar ali. O tempo parece tão precioso, e a cada momento, paradoxalmente, as horas parecem passar rápido e devagar. Já são 5 horas, fim do dia. Eles tinham todo o tempo para fazer o que quisessem, ela esperou o tempo todo para que ele se desse conta disso.
A noite e a solidão logo vão chegar.
Enquanto isso, o corpo outrora inerte ganha vida. E agora, ela é quem parece ser invisível. Mais pessoas passam, pela janela, talvez estão voltando pra casa. E ela ainda ali... Quando ele volta da cozinha, começa a observá-la, por um momento ela finge dormir. Não conseguem se olhar por muito tempo nos olhos, mas mesmo assim ela lhe fala palavras doces.
Finge, mente... "Não pode ter um homem melhor".
E conversa a maioria das vezes com os próprios pensamentos diante do espelho. Fala sozinha, ri e chora, esperando por alguém que ela sabe que existe, mas esta perdido por aí. Ninguém precisa saber. Mas ela sabe, que mais cedo ou mais tarde isso irá acabar. Tudo finda. Ela sabe.