Cotidiano

Por que eu devo "assumir" os cachos?
Amigos, o lance comigo é praticidade. Em meio a toda essa onda de ideologias  e "ismos", me perguntei o motivo pela qual eu tenho que seguir um dogma que coloca a mulher numa posição na qual não se pode depilar ou alisar o cabelo. Isso é ser livre? Ser livre é ir contra os padrões? Para mim isso também é escravidão, é agir da mesma forma do lado criticado. Ser livre é poder fazer o que eu quiser, seja me depilar, seja alisar meu cabelo, seja deixar os pelos da perna crescer, seja ser gorda, enfim... Por que eu tenho que radicalizar? Eu apenas quero ser eu e me sentir bem comigo mesmo.

Por que a justiça tem que ser parcial?
Na rodoviária, por causa de um problema no sistema da empresa de ônibus, as passagens estavam sendo vendidas por telefone. Então demorava muuuito! Enquanto eu estava na fila, tinha um cara que ficava o tempo todo xingando as pessoas que demoravam a escolher o horário da viagem e o assento. E quando chegou a vez dele, ele demorou pra caramba, as outras pessoas começaram a reclamar. E para minha surpresa, as pessoas que estavam na fila - dessa vez - tiveram que ter paciência. Quer dizer que ele não pode, mas eu tenho que ter paciência. Acho muito ridículo esse tipo de gente.


Todos somos hipócritas, ninguém é perfeito. Mas acho que se fizéssemos nossa parte respeitando o outro, viver ia ser menos estressante.

Pego um ônibus, o "Universidade", e pelo nome já dá para perceber que a maioria são estudantes. Meninos e meninas cheios de vida, com aquele instinto rebelde e vontade de mudar o mundo. Bem... Percebo que os mesmos que lutam contra a corrupção, contra a injustiça, contra o preconceito e etc. São os mesmos que não fazem sua parte diante da sociedade. Um ato simples: dar a cadeira preferencial para uma grávida ou idoso num ônibus lotado. Pequenas gentilezas que facilitariam tanta coisa... Como disse Gandhi, 'a única revolução possível é dentro de nós.'

Por que para uns é tão fácil?

Sempre pensei que em qualquer relacionamento nenhuma das pessoas envolvidas tem o controle da situação. O tempo passa e a gente começa a aprender, essa formação talvez tenha contribuído para que eu adquirisse pensamentos e comportamentos não convencionais.

Quando a jornada estava prestes a acontecer, consegui um emprego estável numa das maiores empresas do Piauí, nada a ver com essa minha formação, e hoje eu me sinto perdida, estou sem rumo. O tempo me forçou a ter responsabilidade, o tempo esta me mostrando a cada dia que eu não sou mais uma garota sonhadora. Eu não sou mais a Joyce de 10 anos atrás, cheia de sonhos que adiava para um futuro longínquo qualquer tipo de responsabilidade.

Parnaíba e Teresina passaram a ser a minha casa, mas não me sinto pertencente a nenhum desses lugares. Existe uma pressão da sociedade para que eu tenha uma família, isso é muito comum para uma pessoa da minha idade, ainda mais agora com esse trabalho estável. Eu quero uma família, mas dentro de mim ainda existe uma pequena chama de sonhos, de coisas que eu ainda tenho que realizar, conquistar, curtir.

Nunca me imaginei em uma festa tradicional de 15 anos, e nunca foi meu sonho entrar de véu e grinalda numa igreja. Mas chega um momento na sua vida que você tem que ter uma companhia, alguém pra dividir alegrias, tristezas e até as contas! Para mim é diferente, não é tão simples como é com as outras pessoas, talvez de súbito eu encontre o rumo, e o sentido para o resto dos meus dias. A real é que nada, em termos de relacionamentos, esta fazendo sentido. Todo esse lance é muito complicado pra mim. Existe uma trava, não sei o que é, só sei que aos 31 essa não é a vida que eu quero ainda. 

A via lactea

E quando chegar a noite, cada estrela parecerá uma lágrima. Queria ser com os outros e rir das desgraças da vida, ou fingir estar sempre bem. Ver a leveza das coisas com humor.