Meu alento.

Eu não queria que eles tivessem ido embora do jeito que foram. As pessoas deveriam ir embora e levar tudo com elas, inclusive as lembranças, mas isso nunca acontece e acabamos por nos agarrar às lembranças para sobreviver. Sei muito bem que as nossas condições não favoreciam uma história de amor daquelas com direito à flechada de Eros e sons de violinos ao fundo. Nós nunca iríamos ser felizes, mas por incrível que pareça eu morro de rir das nossas atrapalhadas. Eu lembro que a gente era natural, a coisa fluía. Sempre o que aquece o meu coração são as lembranças dos bons momentos que passávamos conversando. Todo mundo devería sentir essa sensação: de saber como é bom ser você, sem censura ou repressão, livre.

Preciso ler novamente "Amor nos Tempos de Cólera", de GGM. "... mas se deixou levar pela convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos." 

Talvez você tenha mesmo razão.

Hoje foi um dia muito importante. Eu sempre esperei por esse momento, e ele chegou assim mesmo: de repente. Eu consegui! No meu coração não cabe tanta felicidade, fico rindo à toa. Eu tenho paz. Mas faltava compartilhar com outras pessoas que eu sei que se preocupam e se importam comigo.
E assim eu desejei aquela aparição, como eu quis aquela aparição!
O fim desta tarde, o sorrisão estampado na cara e eu ali na porta, em pé, perto do portão, celebrando uma vitória que era minha, e de todos que torcem por mim. Sentada no chão da calçada, fazendo planos bobos, rindo à toa, pro nada... Ai! como eu quis aquela aparição, como eu quis aquele vento gostoso que de vez em quando aparece pelas tardes de junho, nos fazendo únicos. Posso até estar fantasiando demais deixando a realidade de lado; romântica demais e racional de menos. Talvez eu veja mesmo poesia e emoção demais em qualquer gesto de carinho, de atenção e amor...