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Joyce Joy
Parnaíba, Piauí, Brazil
Estudante de História, Pedagoga quando dá tempo... apaixonada por livros, boa música, bichanos e arte. Para uns volátil, para outros determinada, mas na verdade, como diria Lispector, "Eu não sou promíscua. Mas sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro". Afim de trocar uma idéia? Não hesite! Escreva para: E-MAIL/MSN: joycebacchante@hotmail.com
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sábado, 26 de setembro de 2009

Águas de março

* Gosto muito dessa música, ela nos faz entender que o desenrolar do cotidiano acontece de pequenos momentos, pequenos objetos, pequenos acontecimentos. Analisando bem, o título tem muito haver com o ano que só se inicia mesmo depois de encerradas as folias populares, e nada melhor que uma enxurrada pra levar as cinzas do ano anterior e começar uma vida nova. Certamente, não são às chuvas de março que Tom Jobim se referia... essas "águas" de certa forma, condizem à mudança.

Há uma espécie de desejo em inventar um mundo já meio fantástico, onde o "matita- pereira (saci-perere) e índio tem em comum: a inexistência, ou "coisas do passado". tudo isso é banhado pelas àguas de março que fecham o verão. Notamos também que os elementos ligados à ação do homem, vão se aperfeiçoando ao longo da canção... "
É um estrepe é um prego, é uma conta, é um conto ... é o carro enguiçado, é a lama, é a lama".
É um mundo entre a natureza e a cultura.













É pau é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho...

É um caco de vidro
É a vida é o sol
É a noite é a morte
É um laço é o anzol...

É peroba do campo
É o nó da madeira
Caingá, Candeia
É o matita-pereira...

É madeira de vento
Tombo da ribanceira
É um mistério profundo
É o queira ou não queira...

É o vento ventando
É o fim da ladeira
É a viga é o vão
Festa da Cumeeira...

É a chuva chovendo
É conversa ribeira
Das águas de março
É o fim da canseira...

É o pé é o chão
É a marcha estradeira
Passarinho na mão
Pedra de atiradeira...

É uma ave no céu
É uma ave no chão
É um regato é uma fonte
É um pedaço de pão...

É o fundo do poço
É o fim do caminho
No rosto um desgosto
É um pouco sozinho...

É um estrepe é um prego
É uma ponta é um ponto
É um pingo pingando
É uma conta é um conto...

É um peixe é um gesto
É uma prata brilhando
É a luz da manhã
É o tijolo chegando...

É a lenha é o dia
É o fim da picada
É a garrafa de cana
Estilhaço na estrada...

É o projeto da casa
É o corpo na cama
É o carro enguiçado
É a lama é a lama...

É um passo é uma ponte
É um sapo é uma rã
É um resto de mato
Na luz da manhã...

São as águas de março
Fechando o verão
E a promessa de vida
No teu coração...

É uma cobra é um pau
É João é José
É um espinho na mão
É um corte no pé...

São as águas de março
Fechando o verão
É a promessa de vida
No teu coração...

É pau é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho...

É um passo é uma ponte
É um sapo é uma rã
É um belo horizonte
É uma febre terçã...

São as águas de março
Fechando o verão
É a promessa de vida
No teu coração...

-Pau, -Edra, -Im, -Inho
-Esto, -Oco, -Ouco, -Inho
-Aco, -Idro, -Ida, -Ol
-Oite, -Orte, -Aço, -Zol...

São as águas de março
Fechando o verão
É a promessa de vida
No teu coração...

Linda não?




1 comentários:

Ágda Santos disse...

De fato é uma linda música e concordo com muitas coisa que disse.
p.s : Dostoiévski só me lembra Nelson Rodrigues.
uahsuahsuahs