VOCÊ

Quer saber? Eu te dou a chave da porta da frente, mas não vem devagar, tão devagar ao ponto que me faça dormir. Toque os meus cabelos, me olhe à distância de um beijo e minta sobre minha nocauteante beleza. Estou lotada de trabalhos, fim de período, sabe como é... mas mesmo assim, meu pensamento dá um jeito de flutuar até você.
Quando eu te encontrar, conte-me algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas, talvez eu daria aquela risada sem graça só pra te agradar. Fico pensando nas nossas primeiras conversas, e quero reconhecer-me um porto. Gosto de te olhar, por isso não se assuste quando o teu olhar encontrar o meu. Gosto do teu jeito largado, do teu caminhado confiante, dos teus pêlos roçando meus lábios, dos teus cabelos entre meus dedos, braços, pernas e cheiro. Boca, beijo, peito, mãos, olhos e até a tua cara zangada.
Leia pra mim, eu gosto disso sabia? Gosto da tua voz, de atender tua ligação. De sair ao teu encontro, da tua voz baixinha e depois ficar rindo à toa, louca, boba, rouca. Ao invés dos teus segredos é bem melhor uma massagem. Então me espera, quando for o momento certo eu invado tua casa. Ou então me rapte!
Bebida, música, lascívia... eleja outras contravenções!!!
E se nada disso funcionar ... 


Agarrar as oportunidades. Isso é o que tento fazer, mas será que todas deveriam ser agarradas? Quando menos espero as coisas acontecem e me envolvo completamente: "agarro a oportunidade". Aí vem aquela sensação pertubadora, um emaranhado de emoções e reflexões. Lembranças passadas e imediatas se confundem e invadem minhas tardes, ao som de Eddie Vedder. Essa perseguição está registrada com as lentes da memória, ninguém pode me roubar. Eu tenho a 'Persistência da Memória' de Dali, e mesmo você me falando que o tempo cura tudo (ou mata), eu sei que a memória é implacável. O amor, a dor, as bobagens, coisas simples como uma dança de rosto colado, o sorriso, o perfume na tua roupa, o olhar, fim de tarde, areia e água salgada,Pedra do Sal e Atalaia, a cor da tua bicicleta, o rio de águas cristalinas , dois beija-flores no Porto das Barcas... isso tudo permanece. E mais uma vez quando menos se espera, para endossar, Nietzsche nos brinda com o seu Eterno Retorno, sem temporalidade, onde belo e feio, alegria e tristeza, calmaria e tempestade, criação e destruição... dão nuances a nossa existência.

Para muita gente o que importa é uma vida perfeita.
Diferente do resto, estou fadada à minha 'Revolutionary Road'.
Meu destino não é São Petersburgo, não é Teresina!
Nem mesmo o visionário que me inquieta os sentidos.
Sinto um vazio existencial...
de alguém que não quer mais um trabalho medíocre, 
sexo uma vez por semana
assistir TV aos domingos,
a mesma música,
o beijo sem calor...

Eu não quero o vazio da liberdade.

Eu quero a descoberta, o riso escancarado,
dormir quando o dia nascer depois do amor,
não ter hora pra voltar.

De onde vem essa calmaria?

Já era tarde, as estrelas brilhavam no céu escuro
Eu saí de casa com o pensamento em só te encontrar
Eu precisava te ver, mas onde vc estava?
Para todos os cantos da cidade eu olhava, eu te procurava...
As ruas da cidade me guiavam para um possivel encontro com vc
Então te vi de longe,
vc estava lindo com aquele sorriso sincero, que me seduz.
Vc esperava por mim, e eu não conseguia parar de te olhar,
Então, como num passe de mágica vc escreveu no ar,
na minha direção: "Eu te amo".
O seu rosto estava pleno, tenro. A sua satisfação me contagiava
e no meu coração não cabia tanta alegria.