Agarrar as oportunidades. Isso é o que tento fazer, mas será que todas deveriam ser agarradas? Quando menos espero as coisas acontecem e me envolvo completamente: "agarro a oportunidade". Aí vem aquela sensação pertubadora, um emaranhado de emoções e reflexões. Lembranças passadas e imediatas se confundem e invadem minhas tardes, ao som de Eddie Vedder. Essa perseguição está registrada com as lentes da memória, ninguém pode me roubar. Eu tenho a 'Persistência da Memória' de Dali, e mesmo você me falando que o tempo cura tudo (ou mata), eu sei que a memória é implacável. O amor, a dor, as bobagens, coisas simples como uma dança de rosto colado, o sorriso, o perfume na tua roupa, o olhar, fim de tarde, areia e água salgada,Pedra do Sal e Atalaia, a cor da tua bicicleta, o rio de águas cristalinas , dois beija-flores no Porto das Barcas... isso tudo permanece. E mais uma vez quando menos se espera, para endossar, Nietzsche nos brinda com o seu Eterno Retorno, sem temporalidade, onde belo e feio, alegria e tristeza, calmaria e tempestade, criação e destruição... dão nuances a nossa existência.