A chave.



"Então resolvi fingir não causar mais comoção
E se era pra rir/ Por que eu chorei então?
E se não era pra ser/ Por que insistir então?
Mas se não era pra ser/ Por que insistir então?
Depois de um tempo me recuperei
Levantei minha auto-estima
Resolvi sair por cima
Sem pensar que também errei

E quando eu quis sair/ Você voltou
Apareceu de novo
Quando quase não havia mais você em mim/Você voltou
Quando enfim pensei que eu tava livre/ Você voltou
Aah, aah!

E a nossa história
O que vai acontecer?
Seja o que Deus quiser
Venha o que vier
Da forma como for
Ah, eu aceito
Eu aceito, amor."

[Bárbara Eugênia]





Foi há 03 anos atrás

Há 03 anos eu conheci um cara, um cara que estudava inglês e contava piadas sem graça. De vez em quando apreciava uma aguardente no fim das aulas e tinha um jeito debochado de ser. Eu só o observava de longe e não tinha tanto interesse em conhecê-lo melhor. Talvez algo conspirava contra minha decisão, depois de uma viagem para os confins do sertão, acabamos conversando sobre Pink Floyd e outras coisas... Ficamos amigos, trocamos MSN, e a vontade de se ver crescia mais e mais, reciprocamente. Numa tarde de outubro combinamos de ir à praia, o dia estava lindo... céu claro, mar azul, fim de tarde, pôr do sol regado à cervejas, cigarros e batata frita. Lembro que eu ainda gostava de fumar Gudang Garam e ele, o seu velho Hollywood, foi então que algo mágico aconteceu, tudo virava virtude, admiração... Depois de uma conversa que se estendeu até a noite, eu senti muita vontade de fazer parte daquele mundo, um mundo que eu sempre havia procurado. Tive a sorte de ter a permissão de flutuar pelo mundo dele. Um mundo que me fez gradativamente uma pessoa bem melhor.

A descoberta, um novo mundo, novas sensações, permissibilidades... momentos. Doçura, simplicidade, dedicação, companheirismo, compreensão. Sorrisos, emoções, lágrimas, dor. Somos desejo e paz, mas também uma mistura agridoce. Afinal, quem aguentaria cair na monotonia de ser feliz o tempo inteiro?

Este texto é uma celebração. Hoje fazem 3 anos que nos conhecemos melhor. Escrevi isso pensando em quase tudo que vivi ao lado dele, bons momentos. 

A vida é doce, depressa demais!

Com a mesma falta de vergonha na cara eu procurava alento no seu último vestígio, no território da sua presença, impregnando tudo que eu não posso, nem quero deixar que me abandone.
São novamente quatro horas, eu ouço lixo no futuro, no presente que tritura as sirênes que se atrasam pra salvar atropelados que morreram, que fugiam, que nasciam, que perderam, que viveram tão depressa... A vida é doce, depressa demais.
E de repente o telefone toca e é você do outro lado me ligando, devolvendo minha insônia minhas bobagens, pra me lembrar que eu fui a coisa mais brega que pousou na tua sopa. Me perdoa daquela expressão pré-fabricada de tédio, tão canastrona que nunca funcionou, nem funciona...
Me perdoa, a vida é doce.

[Lobão]